Inteligência Artificial composta e gravou um álbum de MPB — e ficou bom
Um experimento conduzido por pesquisadores da Unicamp está gerando debate no mundo da música brasileira. Utilizando um modelo de IA generativa treinado especificamente no cancioneiro da MPB, a equipe produziu um álbum completo de 12 faixas — e o resultado está surpreendendo críticos musicais.
O modelo, batizado de "Caetano.AI", foi treinado em mais de 50 mil canções brasileiras de diferentes épocas e estilos, desde Villa-Lobos até Anitta. O sistema é capaz de compor melodias, harmonias e letras em português, além de gerar vocais sintéticos expressivos.
O álbum, intitulado "Sintético Afetivo", foi lançado em plataformas de streaming sob o pseudônimo "IAra". As faixas misturam elementos tradicionais da MPB — violão, percussão, letras poéticas — com experimentações eletrônicas.
"O que me impressionou foi a capacidade do modelo de capturar a 'alma' da MPB," diz o crítico musical Paulo Sérgio. "Há momentos de melancolia, de ironia, de alegria — coisas que eu associaria a compositores humanos."
O projeto levanta questões importantes sobre autoria e criatividade na era da IA. "A música não é apenas notas e palavras — é emoção, é contexto, é vida," argumenta a Dra. Regina Costa, etnomusicóloga da USP. "A IA pode imitar formas, mas será que pode realmente criar arte?"
O álbum "Sintético Afetivo" já está disponível no Spotify e Deezer.