Inteligência Artificial

Inteligência Artificial composta e gravou um álbum de MPB — e ficou bom

Por Lucas Mendes

Um experimento conduzido por pesquisadores da Unicamp está gerando debate no mundo da música brasileira. Utilizando um modelo de IA generativa treinado especificamente no cancioneiro da MPB, a equipe produziu um álbum completo de 12 faixas — e o resultado está surpreendendo críticos musicais.

O modelo, batizado de "Caetano.AI", foi treinado em mais de 50 mil canções brasileiras de diferentes épocas e estilos, desde Villa-Lobos até Anitta. O sistema é capaz de compor melodias, harmonias e letras em português, além de gerar vocais sintéticos expressivos.

O álbum, intitulado "Sintético Afetivo", foi lançado em plataformas de streaming sob o pseudônimo "IAra". As faixas misturam elementos tradicionais da MPB — violão, percussão, letras poéticas — com experimentações eletrônicas.

"O que me impressionou foi a capacidade do modelo de capturar a 'alma' da MPB," diz o crítico musical Paulo Sérgio. "Há momentos de melancolia, de ironia, de alegria — coisas que eu associaria a compositores humanos."

O projeto levanta questões importantes sobre autoria e criatividade na era da IA. "A música não é apenas notas e palavras — é emoção, é contexto, é vida," argumenta a Dra. Regina Costa, etnomusicóloga da USP. "A IA pode imitar formas, mas será que pode realmente criar arte?"

O álbum "Sintético Afetivo" já está disponível no Spotify e Deezer.

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